Manifesto contra a venda dos CTT entregue em reunião com o Governo

22-11-2013 13:21

Os ativistas e simpatizantes da ATTAC Portugal entregaram no ministério da Economia o «Manifesto pela manutenção dos CTT no Estado», hoje, em Lisboa. O cineasta António-Pedro Vasconcelos, o jornalista Daniel Oliveira, a economista Eugénia Pires e os representantes da ATTAC Bruno Simão e Frederico Pinheiro foram recebidos pelo secretário de Estado Adjunto da Economia, Leonardo Mathias.

Durante a reunião foi efetuada pelo elemento da direção da ATTAC Portugal, Frederico Pinheiro, a apresentação do Manifesto, que recebeu o apoio de mais de 110 personalidades de diferentes áreas da sociedade, e defendeu-se o cancelamento do processo de privatização.

O jornalista Daniel Oliveira disse que esta «é a privatização mais inexplicável». «Ao fim de 13 anos, no máximo, já teremos perdido em lucros o encaixe que teremos agora com a privatização», argumentou, alertando para o facto de «esta privatização ter um grande problema: é irreversível». «Esta privatização afeta as classes mais baixas e as populações das regiões mais isoladas», sublinhou.

O cineasta António-Pedro Vasconcelos referiu que «estamos a passar um monopólio natural do Estado para as mãos do privado». «O próprio ministro Pires de Lima disse, quando ainda não era ministro, que considerava absolutamente inaceitável e que é um perigo para a economia privatizarmos monopólios».

A economista Eugénia Pires alertou para o risco de «os CTT começaram a cobrar pelo pagamento de reformas, pensões, receção e envio de remessas, etc, ou seja, passarão a cobrar por serviço atualmente gratuitos». «Esta operação apenas contribui para a insustentabilidade da dívida, pois retira rendimentos ao Estado e não resolve qualquer problema, pois o dinheiro que vamos receber não é significativo, será utilizado para abater juros e não vai contribuir para o crescimento da economia», disse, atirando ainda: «Mais uma vez vão demonstrar que a prioridade do Governo é privilegiar os credores em detrimentos dos cidadãos».

O também membro da direção da ATTAC Portugal, Bruno Simão, previu uma aceleração do encerramento de estações e postos de atendimento dos CTT. «Há um outro aspeto importante que se vai repercutir no futuro: foram encontradas formas marginais de financiar os CTT, nomeadamente através do cofinanciamento do serviço pelas freguesias e autarquias. Ou seja, no futuro o Estado irá gastar dinheiro público para garantir um serviço prestado pelo privado», denunciou.

O manifesto será agora transformado em petição, dando possibilidade a todos os cidadãos de o subscreverem e demonstrarem a sua oposição à venda desta empresa centenária - http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT71565

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